A coleta seletiva já é uma realidade em 38 escolas municipais de Boa Vista. Duas vezes por semana, nos dias de quinta e sexta-feira, funcionários de uma empresa cadastrada pela prefeitura recolhem o material nas unidades escolares. Papel, plástico, vidro, metal, material orgânico, entre outros, são separados e depositados em contêineres.
Por ser multiplicadora de boas práticas, a escola é um campo fértil para o aprendizado. Daí a importância de ensinar aos alunos sobre a coleta seletiva. Mateus Severino Silva, de 10 anos, aluno da Escola Municipal Valdemarina Normando Martins, no bairro Nova Cidade, dá uma verdadeira “aula” sobre o assunto.
“Dos objetos recicláveis a gente pode fazer novos objetos e utilizá-los e os que não são recicláveis, como frutas, nós podemos fazer adubo”, disse Mateus, todo entusiasmado com a iniciativa da prefeitura, por meio do Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos, construído pelo município com participação da população e a sociedade civil organizada.
A escola de quase mil alunos recebeu capacitação da Secretaria Municipal de Educação e Cultura (SMEC) e os estudantes são estimulados a fazer a separação do lixo e a se envolver em projetos sobre o tema. Isso é importante, pois desperta, desde cedo, a conscientização sobre o meio ambiente e a sustentabilidade.
“A gente melhorou muito a questão da limpeza da escola, porque eles não jogam mais aquele papel no chão, eles jogam dentro da lixeira e certinho. Isso é muito importante para nós, dentro da escola, pois a conscientização das crianças nesse sentido melhora o ambiente onde eles estão”, comemorou a gestora Rosielma Fátima Matos.
A rotina nas escolas faz parte de uma série de ações propostas no Plano criado para minimizar os impactos causados pelo lixo no meio ambiente, que também prevê, dentre outras coisas, a instalação de ecopontos em locais estratégicos da cidade para entrega voluntária de resíduos recicláveis pela população. A Secretaria Municipal de Educação prevê que até o fim do ano todas as 122 unidades escolares façam a coleta seletiva.
Coleta seletiva nas escolas gera emprego e renda em Boa Vista
Após o descarte correto vem a parte do direcionamento adequado das embalagens. Uma das empresas cadastradas na prefeitura é a Boa Esperança, que funciona no Distrito Industrial. Cerca de 10 pessoas, incluindo os donos, fazem de tudo um pouco, desde a coleta até a separação e a prensa do material, que é vendido para indústrias de Manaus.
Não tem como falar em coleta seletiva sem citar os principais agentes desse processo, que são os catadores. “O catador é um agente ambiental, ele está tentando recuperar o meio ambiente”.
O desabafo é de Iranilson Souza, que trabalha desde 2007 como catador. Fora isso, ele diz que é realizado, pois é dessa atividade que tira o sustento da família e foi fazendo isso que conheceu a esposa, Joana de Souza, há cinco anos.
Hoje a situação do casal é bem mais confortável, pois trabalha na empresa Boa Esperança, fundada por Vanda Pereira, antiga conhecida dos catadores, que já está no ramo há 16 anos.
O neto dela, Marco Antonio Pereira, pegou gosto pelo trabalho desde que se mudou do Amapá para cá, há seis anos, e viu a avó fazendo coleta pela cidade. Naquele tempo havia poucas empresas e associações explorando a coleta seletiva. Essa realidade mudou. Por isso a parceria com as escolas e a Prefeitura de Boa Vista é bem-vinda.
“A concorrência de coleta ficou grande né, mas o material da escola contribui muito pra isso, pra gente conseguir fazer com que a demanda seja razoável, e sem as escolas a demanda era pouca”, disse.
Mesmo com a rotina corrida – Marco é veterano do curso de Matemática na UFRR –, faz questão de arregaçar as mangas e sonha em ver uma maior consciência ambiental por parte dos boa-vistenses.
“A cidade de boa vista é uma cidade que eu amo muito (…) e é uma cidade que a gente deve cuidar porque ela tem muito a crescer ainda. Cuidando da nossa cidade, nós cuidamos de nós mesmos, porque nós moramos aqui”.
Vantagens da coleta seletiva (Fonte: Cempre)
• Redução de custos com a disposição final do lixo (aterros sanitários ou incineradores) • Aumento da vida útil de aterros sanitários
• Diminuição de gastos com remediação de áreas degradadas pelo mal acondicionamento do lixo (por exemplo, lixões clandestinos)
• Educação e conscientização ambiental da população
• Diminuição de gastos gerais com limpeza pública, considerando-se que o comportamento de comunidades educadas e conscientizadas ambientalmente traduz-se em necessidade menor de intervenção do Estado
• Melhoria das condições ambientais e de saúde pública do município
O evento abordou a operacionalidade da plataforma, que possibilita o gerenciamento dos resíduos da construção civil produzidos no município e sua correta destinação
A Prefeitura de Boa Vista, reconhecendo a importância da proteção ambiental, cumpre sua missão educativa ao trazer o conhecimento e esclarecimento por meio de ações de educação ambiental preventiva e educativa, bem como a divulgação do Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos no Município de Boa Vista.
Participaram desta ação mais de 70 pessoas e foram utilizadas 12 caçambas e três máquinas carregadeiras para recolher o lixo.