Uma parceria entre a Prefeitura de Boa Vista e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) reuniu diversos profissionais da rede municipal de saúde nesta sexta-feira, 13, para uma oficina de capacitação do projeto Fortalecimento de Capacidades Locais em Saúde Mental e Apoio Psicossocial no Contexto do Fluxo Migratório na capital. O evento aconteceu na Universidade Federal de Roraima.
A capacitação teve início na quinta-feira, 12, com o módulo introdutório e conta com médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais que atuam na atenção básica e do Centro de Atenção Psicossocial – CAPS II, principalmente levando em conta o atual contexto de crise migratória que Boa Vista vem vivenciando.
Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), em contextos de emergências e crises humanitárias, a carga de condições mentais, neurológicas, abuso de substancias e suicídio é ainda maior. A capacitação acontece partir de um modelo de cuidado colaborativo, tornando os profissionais mais preparados para reconhecer e acolher, além do manejo clínico, o acompanhamento de pessoas com necessidades de saúde mental.
“É um projeto voltado para o fortalecimento de capacidades locais em saúde mental e apoio psicossocial neste contexto migratório que Boa Vista está inserida ao longo desses três anos e tem como objetivo, em uma de suas linhas, capacitar os profissionais da rede de saúde municipal e estadual para promover um acolhimento, um cuidado em saúde mental para a população local e também para a população migrante”, destaca consultora nacional da OPAS, Carolina Carvalho.
Os 100 profissionais participantes foram divididos em 2 turmas. As facilitadoras da capacitação foram a professora Sandra Fortes (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e a psicóloga Fabiana Chicralla (Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro - SMS).
A superintendente de Atenção Básica, Cinthia Brasil também destacou a importância dessa capacitação para os profissionais. “Hoje nós vivemos um desafio na saúde. Capacitar profissionais de saúde sobre saúde metal, sofrimento psíquico e a importância do apoio psicossocial no contexto de Atenção Primária e Emergência vai fazer grande diferença no dia a dia”, enfatiza.
A médica da família e comunidade Maria Vauliam, que atende na unidade básica do Pricumã afirmou estar atenta a todo o conhecimento repassado. “A gente está em um momento de crise, pelo processo migratório, onde grande parte das pessoas tendo elas ou não doenças crônicas, acabam desenvolvendo depressão e ansiedade. Isso nos empodera mais, como é dito na capacitação, do conhecimento dos transtornos mentais comuns para que a gente posso atuar ainda melhor dentro das nossas equipes”, conta.
Os próximos módulos da capacitação estão previstos para 2020.
A ideia é reforçar os cuidados e os serviços disponibilizados na rede
Projeto implantado pela Prefeitura de Boa Vista, em março deste ano, a Assistência Médica Especializada por Telemedicina (Amete) já beneficiou 208 pacientes da rede municipal de saúde, nas sete especialidades de atendimentos (veja abaixo).
A Prefeitura de Boa Vista empossa nesta quinta-feira, 29, mais 29 aprovados no concurso público da Saúde realizado em 2019, para completar o quadro de profissionais do município. Esses profissionais vão reforçar os atendimentos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS's), Hospital da Criança Santo Antônio e Unidades Especializadas.