Há cada vez mais evidências de que as experiências vivenciadas na infância têm grande impacto no desenvolvimento futuro do indivíduo. Esse é o tema central do documentário “O Começo da Vida”, lançado em Boa Vista nessa quarta-feira, 11, em sessão especial no Cine Araújo, no Pátio Roraima Shopping. A exibição foi uma iniciativa do Família Que Acolhe, um programa que desde 2013 atua na promoção de políticas públicas para primeira infância, período que vai gestação aos seis anos de idade, tornando-se referência para o Brasil.
Desde o início do mês, o filme percorre diversos países convidando a sociedade a refletir sobre a atenção dispensada nesta fase da vida, que determina tanto o presente quanto o futuro da criança. O filme destaca um dos maiores avanços da neurociência nos últimos anos, com a constatação de que a criança não é somente uma carga genética e biológica, ela se forma através dos relacionamentos humanos, com o meio em que vive nos seis primeiros anos de vida.
A cineasta e roteirista do filme, Estela Renner, da produtora Maria Farinha Filmes, veio à capital especialmente para este momento. Com ela vieram também o diretor-presidente da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, Eduardo Queiroz, parceira da prefeitura dentro do Programa Família Que Acolhe e o vice-presidente do Instituto Alana, Marcos Nisti, uma organização com renome internacional, sem fins lucrativos criada em 1994 e que busca e aposta em projetos com foco na garantia de condições para a vivência plena da infância.
“O filme apresenta o bebê desde os seus primeiros dias de vida como uma pessoa capaz de perceber relacionamentos humanos. Ao contrário do que se pensava antes, a criança, ao ver o que acontece a sua volta, está se formando e aprendendo. Se ela vive em um ambiente acolhedor e amoroso, a chance dela ser solidária, inteligente e colaborativa no futuro é muito maior”, disse Estela Renner.
Durante a produção do documentário, Estela entrevistou sete especialistas e visitou países como Brasil, Canadá, Índia, China, Quênia, Itália, Argentina, Estados Unidos e França, onde conversou com famílias de várias culturas, etnias e classe social. O filme mostra depoimentos de famílias como a de Gisele Bündchen e de Phula, uma menina indiana que cuida sozinha dos irmãos.
Em cartaz nos cinemas
O documentário estará em cartaz a partir desta quinta-feira, 12, no Cine Araújo do Pátio Roraima e também no Cinemark do Roraima Gardem Shopping. Onde não há cinemas a produtora disponibiliza gratuitamente pela plataforma videocamp.com. Boa Vista foi a última das cinco capitais do Brasil a ter o lançamento oficial do filme com a presença dos produtores. Eles passaram também por São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro e Fortaleza.
FQA: Benefícios de hoje trarão resultados positivos no futuro
A prefeitura, por meio do Programa Família que Acolhe, há três anos trouxe a Boa Vista um novo olhar para a primeira infância. O programa atua de forma integrada entre as secretarias de Saúde, Educação e Social, garantindo que a criança seja acompanhada desde o pré-natal até a sala de aula, sempre reforçando a importância dos vínculos afetivos para o desenvolvimento integral da criança desde a gestação.
O FQA conta com avanços significativos nessas áreas. Uma pesquisa feita pela Universidade de Nova Iorque mostra que os pais que participam do programa estão lendo mais e melhor para os filhos. As crianças tiveram ganho no vocabulário e desenvolvimento das habilidades e aprendizagem. A frequência escolar, cotada em 90%, também é outro índice que mostra o bom resultado do programa.
“As crianças são o futuro da sociedade e, por isso, damos atenção priorizada. Tivemos o imenso prazer de ter o nosso projeto entre as três melhores iniciativas do Brasil voltadas para a primeira infância. Sempre digo que esta não é uma conquista só minha, mas de todos que fazem esse projeto caminhar e crescer”, frisou a prefeita Teresa Surita.
Outro avanço foram as facilidades de acesso ao pré-natal na rede básica de saúde. Nos últimos quatro anos, o número de consultas aumentou 46%, subiu de 16.318 em 2012 para 30.145 em 2015. Nesse período, foram realizados mais de 95 mil atendimentos.
Esses dados são resultados do projeto de formação no desenvolvimento da primeira infância, feito em parceria com a Fundação Maria Cecília Vidigal (FMCSV) e o Instituto Primeiros Anos (IPA). Já foram capacitados 2.095 profissionais, de gestores a copeiros; de agente de saúde a médicos, todos envolvidos no entendimento de que é necessário está sensível às necessidades das crianças.
“Todo mérito é da prefeitura, por ter tido logo no início da gestão a visão de trabalhar com a primeira infância que é algo não só moderno como inovador. Os grandes países do mundo estão trabalhando com suas crianças porque as pesquisas científicas mostram que esse investimento é fundamental para formação de uma sociedade mais justa e com valores”, disse Eduardo Queiroz, diretor-presidente da FMCSV.