Conforme dados da Vigilância em Saúde do Município, entre os anos de 2013 e 2015 nasceram em Boa Vista quase 20 mil crianças, uma média de 7 mil nascimentos por ano. Foi pensando na crescente demanda populacional que, em 2013, a prefeitura implantou um programa inovador no Brasil que prioriza o atendimento à primeira infância, período que vai da gestação até os seis anos de idade. O Programa Família que Acolhe (FQA) virou referencia em acolhimento tanto na área da saúde, quanto educação e social.
A Secretaria Municipal de Saúde é a porta de entrada das gestantes ao programa e também a disseminadora da ação integrada nas unidades básicas de saúde. De acordo com o secretário municipal da pasta, Rodrigo Jucá, a secretaria tem uma grande responsabilidade dentro do FQA. “Nossa principal missão é rastrear as gestantes. O que significa isso? Identificar essas gestantes o mais cedo possível, e fazer com que ela comece a ser acompanhada pela unidade básica. A nossa principal meta é ter todas elas fazendo pelo menos 7 consultas ao longo de nove meses de gestação”, disse o secretário.
Nos últimos quatro anos, o número de atendimentos pré-natais na rede municipal aumentou 46%, subiu de 16.318 em 2012 para 30.145 em 2015. No mesmo período, também foram realizados mais de 95 mil atendimentos, destes, 79,5 mil somente nos anos de 2013 a 2015. Entre os fatores que contribuíram para o aumento nos atendimentos foi a implantação do Família Que Acolhe, que junto com a secretaria buscaram meios de facilitar o acesso aos serviços.
É importante ressaltar que no ano de 2015 houve uma redução na taxa de mortalidade infantil. Nos anos de 2012, 2013 e 2014 para cada mil nascidos vivos, 13 mortes eram registradas, esse número caiu para 11 no ano de 2015. Essa redução está associada ao diagnóstico precoce feito pelo município e o acompanhamento das gestantes beneficiárias do Família que Acolhe.
Quando a gestante inicia o pré-natal no posto de saúde, ela tem a sua disposição um pacote de serviços, como exames, preventivos, ultrassom, consultas com enfermeiros, médicos e todos que a secretaria dispõe na rede básica, com prioridade de atendimento. Aquelas encaminhadas para o Família que Acolhe tem tudo isso e mais as atividades e benefícios que o programa oferece, como recebimento de todo o enxoval, participação em palestras e muito mais.
Além disso, após o nascimento, a criança passa a ser o atendida na puericultura (o acompanhamento que se faz com a criança, desde o nascimento ate os cinco anos de idade, podendo ser feita por um pediatra ou enfermeiro). Este serviço está presente tanto na rede básica quanto no Família que Acolhe. Este ano, o programa já atingiu o total de 5492 beneficiárias e acompanha cerca de 4578 crianças nascidas.
Reflexos do Programa Família que Acolhe na Saúde Municipal
Desde a implantação do Família que Acolhe em 2013, cerca de 620 profissionais de Saúde já participaram das capacitações com base no desenvolvimento da primeira infância. São médicos, enfermeiros, agentes comunitários de saúde e técnicos de enfermagem que agora buscam um novo olhar para o assunto e assumem o compromisso de replicar o que aprendeu aos demais funcionários da rede e assim melhorar o atendimento à população.
Hoje, as unidades de saúde já realizam o teste rápido de gravidez, essencial para um acompanhamento completo e eficiente, lembrando que o Brasil passa por um momento delicado com surto de microcefalia em bebês, associadas ao Zika Vírus. “Estamos com esse serviço na rede desde setembro do ano passado e dois meses depois o Ministério da Saúde começou a sugerir que o Brasil fizesse também. Isso nos deu um conforto e uma segurança de que nossa iniciativa surgiu no momento oportuno e de maneira correta”, disse Rodrigo Jucá.
Hoje, o Centro de Saúde Délio Tupinambá dispõe de um enfermeiro obstetra, contratado exclusivamente para atender as gestantes durante o pré-natal. Isso porque a unidade atende uma área descoberta muito grande e se encontra localizada numa região com um alto índice de natalidade. Outras unidades também possuem enfermeiros nessa especialidade mas que também desenvolvem outras funções na área.