O Instituto Boa Vista de Música reuniu, nessa sexta-feira, 13, três músicos locais e um nacional para o II Jazz Festival organizado pela entidade, com apoio da Prefeitura de Boa Vista. Os shows ocorreram no Igarapé Mirandinha e se iniciaram às 21h. Aproximadamente 500 pessoas foram prestigiar.
O instrumentalista que abriu a noite foi o saxofonista boa-vistense Jair Amazonas, acompanhado de um tecladista, baterista e baixista do instituto. As seis canções apresentadas traduziam bem a ideia do Jazz: a composição instantânea, cujo resultado é uma linguagem melódica incomparável.
É que no Jazz precisa-se para escutar os colegas para então seguir com seu instrumento. A plateia assistiu ao show em total silêncio, balançando a cabeça levemente, enquanto fotos e vídeos do momento eram feitos. O final da apresentação foi eletrizante, de modo que o público se levantou para ovacionar Jair. Ele saiu do palco esbanjando alegria.
“É muito bom poder participar deste festival porque traz uma sensação diferente. A gente sente que é tudo feito de coração e isso inspira quem é artista. A prefeitura realmente fica de parabéns por esse apoio dado ao instituto, porque esses eventos nos estimulam a levar a nossa cultura musical local para todos os cantos”, contou Jair.
Depois do saxofonista, os rapazes do grupo Os Três do Jazz subiram ao palco com guitarra, baixo e bateria para mostrar um Jazz menos comportado. Na sequência veio Camu Camu, com um estilo mais emocionante. A noite foi encerrada com o ritmo frenético do paraense Delcley Machado, que tem 20 anos de experiência com a guitarra.
Um amigo mostrou seu trabalho para o presidente do instituto, Sérgio Barros, que logo convidou Delcley para vir ao festival. O pai do guitarrista fazia rodas de choro em casa com cavaquinho – o primeiro instrumento do paraense. Conforme evoluía musicalmente, focava-se onde queria chegar com as cordas: tocar com maturidade.
“O saxofone é emblemático no Jazz, mas a guitarra tem seu espaço garantido, também. É utilizada de forma limpa – sem efeitos – no começo, mas depois pode-se misturar ritmos e dar nova forma ao clássico. É um estilo extremamente complexo, que pede por especialização, mas que deve ser tocado com o espírito em contrapartida. Porque então, sente-se a alma do artista na melodia”, descreveu Delcley.
Ele também passeou bastante por Boa Vista e pôde acompanhar parte dos trabalhos da equipe do instituto, bem como de artistas locais. Prontamente declarou que o nível da musicalidade local nada deixa a desejar perto de outras cidades. “Esta capital tem artistas excelentes. Ritmados, afinados, preparados e criativos. E ainda é linda, encantadora”, admirou-se o guitarrista.
Mais músicos nacionais nesta noite: Para fechar o II IBVM Jazz Festival com chave de ouro, os grupos Jazz Fusion e Amigos do Groove; os instrumentalistas Renato Campos, Bob Mesquita (Ceará) e Mimi Rocha (São Paulo) trarão um pouco de seus repertórios para o palco, a partir das 20h. Vale lembrar que a segurança do local é garantida.
IBVM Jazz Festival: Teve sua primeira edição em 2014 e sua estrutura chamou a atenção de artistas nacionais, que se ofereceram ou então foram convidados para vir a cidade. A iniciativa também foi parar em veículos de comunicação europeus, o que levantou a possibilidade de músicos desses países aparecerem por aqui em 2016.
O festival faz parte do Novembro da Música. O mês foi escolhido por conta do Dia da Cultura (5) e do Músico (22). Entre 24 a 27, a renomada flautista Renata Pereira estará na cidade para a Semana da Música. Ela é uma das únicas profissionais do país que tem habilitação para lecionar em Método Suzuki, que exige muita prática e dedicação.