A distância que separa Roraima do Pará, Rio Grande do Sul, Ceará, Maranhão e Paraíba ficou pequena na abertura do Primeiro Festival dos Pioneiros, na noite dessa quinta-feira, 8, no Parque Germano Augusto Sampaio. Gente desses estados e de outras regiões do país se encontraram no evento que homenageia os primeiros migrantes que chegaram a Boa Vista e os diferentes povos que fazem parte da identidade cultural da cidade.
Nascido em Roraima, descendente da mistura entre português, cearense e pernambucano, o artesão Washington Thomé é neto do pioneiro Joaquim Thomé. Ele viu no festival uma homenagem a sua família, fundadora de fazendas centenárias em Roraima. “Isso é o resgate do passado. Esse trabalho é a oportunidade de mostrar para os roraimenses e “roraimados” a vida antigamente. Meus avós quando moraram aqui, o transporte e a comunicação eram muito difíceis. Eles foram heróis”, lembrou.
A diversidade cultural de Boa Vista foi retratada em uma apresentação que reuniu no mesmo espaço, tradições diferentes. Na arena, o vaneirão gaúcho, o carimbó paraense, o boi bumbá do Amazonas se misturaram às tribos indígenas de Roraima em um único ritmo.
"Essa mistura é muito interessante. A gente reúne norte, nordeste, sul. Eu que sou do Rio Grande do Sul, quando entrei no palco com o pessoal do norte, eu entrei na dança e me senti como se tivesse nascido aqui”, destacou o gaúcho César Augusto Baraldi, de 19 anos.
A mistura que encantou o gaúcho orgulha o roraimense Francisco Araújo Chaves, de 33 anos. Filho de cearense e piauiense, ele viu na apresentação um pouco da história de seu estado. “O público só tem a ganhar conhecendo mais a cultura dos outros estados, até porque Roraima é composta de vários migrantes”, disse.
A capital que acolheu pessoas de diferentes lugares, abraçou carinhosamente a atração principal do festival. O músico paraibano Chico César subiu ao palco para a alegria dos fãs. O público cantou e dançou com as letras e ritmos que destacam a miscigenação brasileira.
"Eu gosto muito de voltar a Boa Vista. Aqui eu me sinto representado e representando. Quando me escolhem para abrir um festival como esse, acho que as pessoas vêem essa diversidade cultural no meu trabalho, uma mistura de reggae, carimbó, boi e canção. Isso é a diversidade cultural do Brasil”, falou Chico César.
O show teve um pouco de tudo isso. Músicas do novo trabalho “Estado de Poesia” foram intercaladas com grandes sucessos do compositor. O maior deles, Mama África, teve direito a coro da plateia.
O paraibano Esron Messias, de 24 anos, conterrâneo de Chico César, aproveitou para matar a saudade da terra natal. “Chico César é um grande nome da música popular brasileira, é um gênio, acho que foi uma ótima escolha. Estou curtindo o show e lembrando da Paraíba”, contou.
A amazonense Inara Nascimento, de 26 anos, cantou e dançou todas as músicas."Eu gosto muito de Chico César, gosto muito de música nordestina, música brasileira", contou. A professora, que está há um ano em Roraima, também destacou a importância do festival. “Boa Vista é uma cidade muito acolhedora, todas as pessoas que estão aqui se sentem muito bem. Fazer uma festa para acolher ainda mais essas pessoas, só fortalece a cultura de Roraima”, completou.
O festival dos pioneiros segue até o dia 11 mostrando as tradições, costumes, gastronomia e riquezas das pessoas que deixaram seus estados de origem para ajudar na construção e no desenvolvimento da capital roraimense. Para a prefeita Teresa Surita, uma justa homenagem aos pioneiros de uma cidade multicultural.
"A nossa identidade é a nossa diversidade. Nós temos pessoas do país inteiro e essa diferença faz a nossa marca. As pessoas que nasceram aqui, acolhem as que vêm de fora como se fossem de Roraima. Essa diversidade cultural é, sem dúvida alguma nossa identidade. Essa é nossa homenagem a todos que ajudaram a construir nossa história”, disse prefeita.