Música, poesia e diversão foram alguns dos elementos presentes no primeiro Música do Beiral, um projeto do Clã Cultural Makunaima em parceria com a Prefeitura de Boa Vista que ocorreu na noite deste sábado, 19, na praça de alimentação ao lado do Terminal José Campanha Wanderley e contou com uma programação voltada à comunidade daquela região.
A intenção é reunir artistas locais no centro histórico de Boa Vista, como forma de aproximar a comunidade das ações culturais. Nesta primeira edição do evento, subiram ao palco bandas como Sheep, Ditambah, Bali-Rádio, além dos cantores Ana Lu, George Farias e Victor Pium, que também está entre os idealizadores do projeto.
Victor, que morou e estudou no Caetano Filho, popularmente conhecido como “Beiral”, afirma que a sociedade ainda possui um olhar crítico quanto aos moradores do local, devido a situação de vulnerabilidade social em que a área se encontra. Porém, o músico ressalta que há muitas pessoas que vivem ali de forma honesta, trabalhando e contribuindo de forma legal com a sociedade.
“Muita gente pensa que todos ali são usuários de entorpecentes ou envolvidos com o tráfico. Mas há muitas pessoas sérias vivendo ali. Há igrejas, escolas, comércios, todos vivendo honestamente. Com este nosso trabalho, queremos aproximar a comunidade no geral para que sejam vistos de uma forma diferente pela sociedade. Afinal, eles também têm o direito de ter acesso à cultura”, explicou.
No local também foi exposto o Varal Poético, uma ação do Coletivo Arte-Literatura Caimbé, que é composta por poemas e contos dos escritores Edgar Borges e Zanny Adairalba. Os textos são montados sobre fotografias e ilustrações feitas pelo casal e pelo filho deles de cinco anos. Com temáticas variadas, as obras prendem a atenção do leitor pela profundidade dos versos e pela singeleza em cada uma das palavras.
Para Edgar Borges, ações como esta contribuem com uma vida melhor da sociedade, seja nas áreas centrais, como na periferia. “Independente do local, toda ocupação com arte nos espaços públicos colabora para melhorar a qualidade de vida das pessoas, para ampliar sua visão de mundo. Então é importante que o poder público e os indivíduos sempre se unam para fortalecer iniciativas deste porte”.
Morador do Caetano Filho, o estudante de Administração Luís Ricardo Moura afirmou que a vida por lá é bastante crítica, mas todos se respeitam. Além disso, ele afirma que é preciso que ações culturais como o Música no Beiral sejam multiplicadas. “Nossas famílias também tem direito à cultura, não só de saúde ou educação. Essas ações já acontecem. Mas a criança do Beiral também quer ir ao cinema, quer ser jogador de futebol, ou quer ver uma banda legal tocar. Como morador daqui, eu achei muito legal essa proposta e espero que volte a ocorrer”, disse.