A alegria contagiante dos mais de 140 estudantes da Escola Municipal Glemíria Gonzaga deixou o ambiente formal do Forúm Advogado Sobral Pinto mais animado. Eles foram ao local receber os certificados de participação do Projeto 'Maria vai à escola', uma parceria entre o Tribunal de Justiça de Roraima e Prefeitura de Boa Vista. Na ocasião, os alunos puderam conhecer de perto onde ocorre o júri popular.
Os estudantes receberam os certificados das mãos do desembargador Almiro Padilha, presidente do Tribunal de Justiça, da juíza Maria Aparecida Cury, do 1° Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a mulher, e da Secretária Municipal de Educação, Lucivane Freitas. Em discurso descontraído, o desembargador usou de uma expressão humanizada para tocar e despertar a atenção da criançada. “Deus nos fez fisicamente um pouco mais forte que as mulheres e não podemos usar essa força para agredi-las”, disse.
No evento, Kauann Silva, de 11 anos, discursou em nome dos alunos presentes e ainda deu uma palinha na voz, logo que recebeu o certificado, o que arrancou risos de quem estava presente. O menino declarou ainda o quanto gostou das atividades do projeto. “Foi muito interessante! Aprendi várias leis, em especial a Lei Maria da Penha, que defende as mulheres, e o Direitos Humanos que defende todas as pessoas e diz que perante a lei todos nós somos iguais. Tenho consciência que em mulher não se deve bater”, disse.
A campanha educacional irá percorrer todas as unidades de ensino que oferecem o 5º ano do Ensino Fundamental. O Projeto segue agora para a terceira etapa, agora com os alunos da Escola Municipal Delacir de Melo Lima, com previsão de início para o dia 29 de setembro. O objetivo é difundir a Lei Maria da Penha no âmbito escolar e aproximar o Judiciário da sociedade roraimense.
Foram 10 aulas por turma, abordando de forma interativa assuntos relacionados a equidade de gênero, violência doméstica e familiar contra a mulher, Lei Maria da Penha, Direitos Humanos e Cidadania. Durante esse período os alunos recebem materiais lúdicos e educativos e desenvolvem diversas atividades como dança e brincadeiras.
O projeto foi criado no estado do Amazonas e então replicado para outros lugares. Cada tribunal adotou sua metodologia de ensino, procurando uma forma de aplicar melhor no seu estado. O diferencial de Roraima é que com a parceria da prefeitura, o Tribunal adentrou as salas de aula, enquanto que na maioria dos estados o projeto é levado apenas em palestras às unidades de ensino.