Foram seis dias intensos de apresentações. Nada tirou o ânimo dos quadrilheiros, nem mesmo o curto apagão do dia 18 conseguiu desanimar os Cangaceiros do Sertão no tablado ontem, quiçá o desafio de enfrentar a expressão gélida dos jurados e possivelmente conquistar, amanhã, o troféu de melhor quadrilha de 2015.
O grupo folclórico Ciranda Tradicional entrou na Arena Junina e manteve a tradição dos passos, só para dar um gostinho do que estava por vir: a quadrilha de acesso Macedão contando uma história de amor maluca entre um jovem e a lua. "Os passos ficaram à altura do que foi prometido, estou admirada", comentou uma das senhoras da plateia para uma amiga ao lado.
Do lado de fora, podiam se escutar gritos de animação fora do normal. Quando Chiquinho Santos anunciou que era a vez da quadrilha Garranxê, os visitantes do lado de fora se esbarraram para ver a apresentação. Correram até as grades e tentaram assistir aos passos que contavam a história de Lampião e Maria Bonita. "Grita, Garranxê! Grita, que tá lindo!", animava Vavá Ferreira.
O ápice, no entanto, veio com as especiais Forrozão Caipiria e Arrasta Pé. A primeira, ao homenagear Abelardo Barbosa, vulgo Chacrinha, esbanjou empolgação e ganhou a atenção de pessoas como a cabeleireira Silvana Silva, de 35 anos, junto com toda a família. "Sinceramente, eu acredito que ela vá vencer. Tem 15 anos que venho ao Boa Vista Junina e ela se superou, manteve a tradição, mas o passo foi perfeito do começo ao fim", afirmou.
Johny Soares, de 20 anos, discordou. Para ele, a linda história de drama com final feliz, contada pela Arrasta Pé, foi superior. "Os passos foram totalmente diferentes, foi tudo muito lindo. Eu me senti dentro do cada passo que eles davam, não consigo nem explicar direito. Sem condições, eles vão ganhar amanhã!", emocionou-se.
É que a quadrilha relatou, por meio da dança, a história do casal Marina Cantão e Stanley de Lira, ambos com 60 anos de idade e 30 de casamento. Uma fase dessa união foi marcada por um momento em que a esposa, ainda jovem, foi para um garimpo venezuelano justamente na época em que 10 trabalhadores foram assassinados. O marido, em sofrimento, prometeu a Deus que se a esposa voltasse, faria um São João só para ela.
Trinta dias depois de desaparecida, Marina foi encontrada. Conseguiu sobreviver na floresta para qual fugiu, se alimentando apenas de frutas da região. "Eu fiz a festa mais linda do mundo, por esse milagre. Por Deus ter deixado eu continuar ao lado dessa presente divino", afirmou Stanley, sem soltar as mãos da esposa, que só conseguia retribuir as palavras com um singelo abraço.
O público aposta: Mikelle Maia, de 20 anos e Rainha Caipira, esbanjava confiança, mas não deixou de admitir que neste ano será complicado. "É outro nível. Os passos tradicionais continuam, mas o nível é outro. Incrementaram samba, forró e até balé na Grande Roda, no Caracol, enfim! Em tudo que era obrigatório. Este ano vai ser acirrado", contou.
Mas ao redor da jovem, um homem dizia sem parar: "Que nada, vai dar Explosão Caipira, sim! É a melhor!". As opiniões eram diferentes por toda parte. Ao fundo, uma senhora com um bebê nos braços respondeu: "Vai ser é Xamego na Roça, tá achando o quê?". A estudante Clarisse Martins pontuou: "Pelo que vi, todas se esforçaram muito. Mesmo que não ganhe a que eu queria, estamos cientes de que o nível subiu e o arraial se renovou".
Além do novo local do evento, os boa-vistenses e apaixonados pelas festas de São João terão qualidade, organização e limpeza na Praça Fábio Marques Paracat.
A via terá acesso bloqueado do lado direito, sentido centro-bairro, logo após o cruzamento com a avenida Major Williams até o Mundo das Crianças.
Os encantos estão abertos para todos os públicos, com direito à inédita noite Gospel, com boa música e escuta da palavra de Deus.