O Igarapé Musical voltou para a Praça do Mirandinha na noite desse sábado, 11, e animou ainda mais o local. Bandas e artistas regionais, de diversos estilos, trouxeram sensações diferentes para os ouvidos dos espectadores que compareceram, todos de diferentes bairros de Boa Vista. Aproximadamente 300 pessoas curtiram as bandas presentes.
Uma das moças que estavam na plateia era a instrutora cirúrgica Paula Rodrigues da Cunha, de 33 anos. Acostumada com uma rotina de trabalho que envolve cirurgias de diversos tipos, Paula encontrou para sua vida um homem cuja profissão era mais leve – Magdiel da Cunha, que é professor e tecladista do Instituto Boa Vista de Música (IBVM).
Desde que começou o Igarapé Musical, em 2014, Paula sempre esteve na plateia e chegou até a aprender um pouco de instrumentos e música. “Tem dias que eu chego tão afetada pelo meu trabalho, mas então me deparo com um ambiente poético em casa. Ver tantos talentos aqui só me sensibiliza mais, e é incrível que até hoje só vi grupos afinadíssimos aqui no Igarapé”, contou a instrutora.
Paula ainda afirmou que a maior surpresa que teve durante todo esse tempo acompanhando o Igarapé Musical foi a apresentação de uma banda totalmente instrumental. “Geralmente grupos assim fazem muito barulho mas, no caso daquele, as melodias das canções eras perfeitas. Achei bacana ver que aqui em Roraima temos talentos musicais de todos os tipos”, enfatizou.
Valorização: Se alguns talentos vão ao Igarapé Musical para começar uma carreira, outros levam os fãs que já possuem para o local e aproveitam para divulgar mais o trabalho que têm. É o caso da banda Projeto Churras, criada por Murilo Pommerening e o primo. O grupo passou por diversas mudanças nos integrantes, mas Murilo persistiu.
“Começamos tocando para nossa família em dias de churrasco, mas eu quis seguir com a banda. Já estamos com 2 anos e 2 meses de trabalho, e já nos apresentamos em diversos municípios daqui e até na Venezuela”, contou o jovem, de 19 anos. Murilo até mesmo ingressou no curso de Música da Universidade Federal de Roraima e pretende fazer do talento da voz e guitarra, sua renda financeira.
O estilo de rock alternativo misturado com baiano, folk, entre outros, somados à valorização do nosso próprio idioma tornam as canções do Projeto Churras únicas. “Vejo que o Igarapé Musical serve, principalmente, para fortalecer a bagagem musical dos artistas da região, pois é um espaço aberto para todos os apreciadores de música”, afirmou Lucas Silva, de 20 anos, baterista da banda.
IBVM e Prefeitura: Neste ano, o IBVM completará 10 anos de história, marcados especialmente por todo trabalho social da entidade. Centenas de jovens e adultos passaram pelas aulas oferecidas, e hoje em dia, muitos deles se tornaram professores de música ou seguiram com as vidas sem envolvimento com o risco social.
Tendo ciência disso, em 2013 a Prefeitura de Boa Vista, por meio da Fundação de Educação, Turismo, Esporte e Cultura (Fetec) firmou parceria com a instituição, visando oferecer educação, musical e social para as crianças e adolescentes que são atendidos nos diversos grupos formados pela instituição.
Um dos frutos dessa parceria foi o Igarapé Musical, que abre espaço para artistas locais mostrarem seus talentos. “Se for um artista solo, temos toda uma banda para dar apoio a eles – só não dá para ficar sem se apresentar. Queremos levar essa linguagem para todos os roraimenses e tornar nosso estado o mais musical do país”, enfatizou Sérgio Barros, presidente do IBVM.