Portal PRESSEM

DSTs e gravidez na adolescência: Falta de diálogo familiar colabora com o aumento dos casos
Assistência Social

DSTs e gravidez na adolescência: Falta de diálogo familiar colabora com o aumento dos casos

07/04/2015

Com aumento de até 35% em jovens de 15 a 19 anos na capital, as Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) se tornaram alvo de preocupação constante para a saúde municipal. Dentre elas, a mais comum é o HPV (Vírus do Papiloma Humano), do qual existem 58 tipos, mas apenas 4 predominam – são nesses que a vacina atua.

Para combater o problema pela raiz, em 2014 a campanha contra o vírus foi iniciada, tendo sequência neste ano, com foco em crianças de 9 a 11 anos. Disponibilizadas em todas as unidades básicas de saúde, as duas primeiras doses da vacina ajudam a prevenir verrugas que sinalizam a vinda de um câncer no colo do útero e demais consequências.
Porém, o combate ao vírus encontra duas grandes dificuldades, ambas relacionadas aos pais. A primeira é o medo que eles têm com relação aos raros e leves efeitos colaterais que podem surgir. E o segundo problema é a equivocada ideia deles de que tomar a vacina seria um incentivo à iniciação sexual precoce dos filhos.
“Estamos prevenindo a infecção de uma DST que nem sempre tem cura e possui efeitos devastadores, mas infelizmente, tudo que abrange sexualidade é polemizado na sociedade. Quando se trata de jovens então, nem se fala. E esse é o principal problema: deixar dialogar sobre o assunto”, lamentou a superintende de Atenção Básica do município, Erika Madelaine Carvalho.
Sexualidade: Nada mais é do que todo conhecimento relacionado a sexo, que abrange desde a responsabilidade até doenças e gravidez. E, falando nisso, a taxa de adolescentes grávidas também cresceu muito na capital nos últimos anos. Desde que surgiu, em setembro de 2013, o programa municipal Família Que Acolhe já registrou aproximadamente de 3.800 mulheres grávidas, dentre as quais mais de 1.100 tratam-se de adolescentes.
“Palestras sobre sexualidade são feitas nas escolas da cidade, mas o adolescente também tem que se sentir confortável para falar sobre o assunto com os familiares, pois são eles que representam, de uma forma ou outra, a segurança e conforto desses jovens”, afirmou a psicóloga Nara Azevedo, do Centro de Atenção Psicossocial Dona Antônia de Matos Campos (Caps II).
De acordo com a profissional, por mais que a mídia atual aborde o tema, ainda há distorções nas informações, pois muitos jovens se baseiam em séries e novelas que tratam da gravidez e de doenças de forma “fantasiosa”. E uma vantagem do diálogo respeitoso com familiares próximos, como os pais, é justamente essa: o impedimento da chegada de informações deturpadas, fornecidas por amigos e programas.
“Não estou dizendo para os pais passarem a mão na cabeça dos filhos caso eles pisem na bola, mas sim que uma chamada de atenção deve ocorrer de modo a não traumatizar o jovem, a ponto dele nunca mais querer tentar falar com os responsáveis, especialmente sobre um tema tão delicado quanto este. Uma boa dica seria fazer esse diálogo ocorrer de forma mais próxima da linguagem dos filhos”, pontuou a psicóloga.
“Seria muito diferente”: Raquel Coelho e Bruna Miranda nunca tinham se visto, mas têm histórias de vida curiosamente muito parecidas. Filhas de pais separados, ambas viviam com as mães, cujas posturas sempre foram conservadoras. Já os pais eram mais amigáveis. Ambas tiveram aulas breves sobre sexualidade na escola, mas se atentavam mais à gravidez e pouco cogitavam DSTs.
Aos 15 anos, ambas engravidaram dos namorados – Raquel, por não gostar de camisinha e Bruna, porque o preservativo furou –, mas somente após três meses, as mães das duas perceberam, pois as próprias jovens desconheciam o fato. Raquel teve depressão pós-parto por dois meses, mas agora já sente muito afeto pela filha de quatro meses e Bruna está feliz com o filho de dois meses.
Desafiadas a imaginar outra realidade, na qual tivessem pais mais próximos, mais condizentes e menos conservadores, que dialogassem constantemente com elas sobre tudo, Raquel e Bruna foram imediatas: “Eu provavelmente não teria tido meu filho agora”, afirmaram. “Seria muito diferente, porque eu me sentiria mais protegida e teria mais carinho”, acrescentou Bruna.

Notícias Relacionadas

Prefeitura faz primeiro Fórum Municipal de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil
Assistência Social

Prefeitura faz primeiro Fórum Municipal de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil

O encontro será na sexta-feira, 12, das 8h30 às 11h, no Centro Empresarial Ideias e Negócios, na rua Governador Aquilino Mota Duarte, bairro São Francisco.

09/06/2015
Prefeitura de Boa Vista
Programa social leva benefícios à idosos e pessoas com mobilidade reduzida
Assistência Social

Programa social leva benefícios à idosos e pessoas com mobilidade reduzida

O benefício é destinado às pessoas idosas, a partir de 65 anos de idade, e às pessoas com deficiência, de qualquer idade, que comprovem não possuir meios de prover a sua própria subsistência.

01/06/2015
Prefeitura de Boa Vista
Reunião discute sobre benefícios para pessoas idosas e deficientes
Assistência Social

Reunião discute sobre benefícios para pessoas idosas e deficientes

O evento será na sexta-feira, 29, às 15h, no Cras São Francisco, na rua Rodrigo Peres de Figueiredo, nº 317, no bairro Calungá.

29/05/2015
Prefeitura de Boa Vista