O que era problema tornou-se uma solução. A água que fazia a rede de esgoto transbordar, agora é utilizada para irrigar uma horta, que por vezes vira sala de aula de educação ambiental, na Escola Municipal Maria Teresa da Silva Maciel, localizada no Jardim Floresta. O projeto de reúso da água é pioneiro em Boa Vista e idealizado por estudantes, professores e direção da escola.
“Além de cooperar com o combate ao uso excessivo de água, nós resolvemos um problema existente nos reservatórios. Eles viviam cheios e transbordando. Então pensamos em criar um projeto que pudéssemos economizar água e assim diminuir o fluxo nas fossas. E o resultado foi satisfatório”, destacou a gestora da escola, Luzia Almeida.
A água que entra pelo ralo da copa passa por processos de limpezas, por meio de peneiras com espessuras bem finas que retiram todos os resíduos. Por meio de uma bomba e mangueira, a água acumulada na cisterna é utilizada para irrigar a plantação da escola. A horta já existe a mais de quatro anos. O espaço de 40 metros é composto por legumes, verduras, árvores frutíferas e plantas medicinais.
Para o horticultor, José Rodrigues, a plantação melhorou muito com o uso da irrigação sustentável. Segundo ele, era difícil regar as plantas, devido o enfraquecimento do curso da água que vem da rua. “Depois que começamos a utilizar essa água, melhorou 50%. As plantas estão mais verdinhas e estão crescendo mais rápido. Melhorou tanto, que já até aumentei os canteiros de pimenta-de-cheiro e banana”.
A horta além de contribuir para a merenda escolar, também será utilizada como sala de aula, pela orientadora de Educação Ambiental, Ana Beatriz, voluntária do Programa mais Educação. Dos 594 alunos matriculados, 310 estão inscritos no programa para participarem de atividades específicas, entre eles a educação ambiental. “Ano passado, levamos os alunos para visitar a horta, mas esse ano vamos ter aulas práticas de como cuidar, plantar, adubar e regar. São conhecimentos básicos, mas importantes para o aprendizado dos alunos”, destacou Ana.
O intuito é expandir o projeto, com o apoio da Companhia de Água e Esgoto de Roraima (CAER) e especialistas químicos. Para que a água seja reutilizada nas descargas, na lavagem do pátio e banheiros da escola, é necessário passar por tratamentos. A escola já se manifestou junto a CAER e aguarda resposta.
Segundo a gestora, os recursos para a construção dos novos reservatórios veio do Programa Municipal Dinheiro Direto na Escola. “O recurso vem, e cabe a nós, gestores de escolas, administrar de acordo com as necessidades. Isso é justamente a proposta do programa”, frisou Luzia.
Programa Municipal Dinheiro Direto na Escola – O repasse é anual, e cada escola recebe 100 reais por aluno matriculado, além de valores específicos destinados a obras. Escolas inauguradas até o ano de 2000 recebem uma parcela de 40 mil reais para obras. As inauguradas até 2010 recebem R$ 30 mil e as unidades que começaram a funcionar a partir de 2010 recebem R$ 20 mil.
Os recursos são depositados em contas das Associações de Pais e Mestres, que têm a autonomia para administrar conforme a necessidade das unidades. Nos meses de maio e dezembro, os responsáveis pela administração do dinheiro devem encaminhar relatórios de prestação de contas à Secretaria Municipal de Educação.