A área externa da sede do Novo Projeto Crescer parecia uma arquibancada a céu aberto na manhã desta sexta-feira, 30. Embaixo da sombra de mangueiras, quase 150 meninos e meninas torciam e vibravam a cada disputa travada durante a gincana organizada pela Secretaria Municipal de Gestão Social de Boa Vista.
Na dança das cadeiras, difícil era conter as gargalhadas quando alguém, no susto, sentava sem querer no colo do outro. No cabo de guerra, a euforia tomou conta quando as meninas conseguiram ganhar do grupo de meninos. E entre risos, palmas e gritos, não coube espaço para desavenças, ou tempo ruim.
Os jovens chamados para participar do projeto por viverem em situação de alto risco mostraram que, aos poucos, estão encontrando novas possibilidades de estar no mundo. E nesse processo, as brigas nas ruas começam a ser substituídas pelos duelos nos jogos, no rap, nas danças. Aprender a conviver com grupos considerados rivais em um mesmo território é um dos primeiros aprendizados adquiridos.
“O Novo Projeto Crescer tem essa finalidade, de proporcionar momentos de interação entre meninos e meninas, de dar novas oportunidades a esses jovens para que eles possam ter um futuro promissor. É isso que queremos", enfatizou a prefeita Teresa Surita.
Para incentivar o convívio entre os grupos, a coordenação do programa
montou uma gincana com várias atividades diferentes. “Apesar deles
não terem se misturado na formação das equipes, eles já passaram a se
comunicar durante as provas”, explicou a psicóloga do novo Projeto
Crescer, Ana Paula Castro.
Para quem acompanha o projeto desde o seu relançamento, no dia 12 de maio, a mudança já é clara. Hoje a aceitação é muito maior. Quase não há quem fuja das atividades propostas e os grupos que antes ficavam isolados também começam a formar um corpo único de meninos e meninas.
O professor da oficina de argila, Alfredo Brondine, conta que em poucas semanas do projeto já consegue perceber uma postura diferente dos jovens. “Eles chegaram bem rebeldes, mas já estão mudando. Antes eles representavam na argila o que estava presente em suas vidas. Só esculpiam objetos relacionados às drogas e violência. Agora eles já
estão fazendo outras figuras, estão pegando o jeito”, reforçou. Magrão, como é conhecido pelos alunos, diz que da postura à conversa, tudo mudou. “Antes eles chegavam com os óculos escuros, os bonés coloridos, com o peito inflado. Já chegavam com o gesto e o olhar para intimidar”.
Hoje os abraços trocados com os professores, o pedido de ajuda que chega
natural, ou o desenho de um coração estampado nos muros são reflexos
não somente de uma postura que muda nesses jovens, mas de um mundo de
risco e exílio social que é deixado para trás. A nova perspectiva
adquirida diariamente, o convívio a partir do afeto e o aprendizado
conquistado por meio de todos os sentidos substituem o discurso da
repressão como única maneira de enfrentar o problema das drogas e da
violência entre os jovens.
O encontro será na sexta-feira, 12, das 8h30 às 11h, no Centro Empresarial Ideias e Negócios, na rua Governador Aquilino Mota Duarte, bairro São Francisco.
O benefício é destinado às pessoas idosas, a partir de 65 anos de idade, e às pessoas com deficiência, de qualquer idade, que comprovem não possuir meios de prover a sua própria subsistência.
O evento será na sexta-feira, 29, às 15h, no Cras São Francisco, na rua Rodrigo Peres de Figueiredo, nº 317, no bairro Calungá.