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Projeto “Girassóis Protetores” fortalece combate ao bullying em escola de Boa Vista
Educação

Projeto “Girassóis Protetores” fortalece combate ao bullying em escola de Boa Vista

22/05/2026
Marcus Miranda

Com o objetivo de prevenir e combater violências presenciais e digitais contra crianças e adolescentes, a Escola Municipal Martinha Thury Vieira promoveu nesta sexta-feira, 22, uma palestra sobre o tema, por meio do projeto “Girassóis Protetores – Nenhuma Criança Sozinha”, desenvolvido pela própria unidade de ensino.

Alusiva à Campanha Maio Laranja, iniciativa nacional de combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes, a ação contemplou alunos do 2° ao 4° ano. A palestra foi ministrada pela Dra. Andreia Vallandro, advogada especialista em Direito de Família e Sucessões. Segundo ela, a abordagem dos temas precisa ser adaptada conforme a faixa etária dos alunos, mas sempre com foco no fortalecimento da proteção infantil.

"Muitas vezes, a escola é o lugar onde a criança se sente mais segura para falar sobre situações de violência”, destacou Andreia Vallandro

“O conhecimento é o que vai garantir a proteção integral dessas crianças. Por isso, esse trabalho precisa acontecer durante o ano inteiro, e não apenas no Maio Laranja. Muitas vezes, a escola é o lugar onde a criança se sente mais segura para falar sobre situações de violência”, destacou Andreia.

Ensinar e prevenir desde cedo

A palestra teve como foco assuntos como bullying, cyberbullying, abuso sexual infantil, segurança corporal, trabalho infantil e canais de denúncia. Andreia ressaltou a importância de sensibilizar os estudantes desde cedo sobre respeito, empatia e convivência saudável.

“A criança está em fase de construção e é justamente nesse momento que precisamos trazer informação e promover a conscientização. O bullying pode deixar sequelas emocionais muito grandes e, muitas vezes, é também um sinal de alerta de que aquela criança está vivendo algum sofrimento”, afirmou.

O projeto contempla alunos do 2° ao 4° ano

O projeto está alinhado às competências gerais 8 e 9 da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), à Lei do Bullying (13.185/2015) e à Lei 14.811/2024, envolvendo não apenas alunos e professores, como também as famílias.

"É importante que a gente, como criança, saiba se proteger e se cuidar", disse a aluna Mariane Silva

A estudante Mariane Silva, de 10 anos, achou o tema interessante e necessário. “Gostei muito das dicas. É importante que a gente, como criança, saiba se proteger e se cuidar. Aprendi que é necessário ter sempre um adulto de confiança por perto”, disse.

“O que aprendi hoje é que adulto não pode tocar em criança”, contou o aluno Vítor Rodrigo

Quem também gostou da iniciativa foi Vítor Rodrigo, de 9 anos. “O que aprendi hoje é que adulto não pode tocar em criança”, contou.

Professora da rede possui publicações literárias sobre o tema

Uma das professoras responsáveis pelo projeto é Marcela Saramela, autora de obras literárias que abordam a temática, como o livro “Marcelina e o Girassol”. Além disso, ela apresentou recentemente o tema na obra “Altos Estudos em Educação”, na qual destacou o Programa de Combate Permanente ao Bullying – Bullying Não é Brincadeira, ressaltando como a arte pode se tornar ponte, diálogo e cura dentro do ambiente escolar.

"Quando uma criança sente que pode confiar no adulto, ela denuncia, pede ajuda, acolhe o colega e se recusa a participar de situações de agressão”, ressaltou a professora Marcela Saramela

“O projeto envolve toda a escola. Professores, funcionários, famílias e alunos participam de uma rede de cuidado que transforma o espaço escolar em um ambiente de acolhimento e vigilância afetiva. A ideia é mostrar que todos têm responsabilidade na prevenção e no combate às violências. O projeto cria uma cultura coletiva de proteção, na qual cada criança aprende que não está sozinha e que pode contar com a comunidade escolar para florescer”, explicou.

Ainda conforme Marcela, o diálogo aberto transforma o ambiente escolar e fortalece emocionalmente cada aluno. “Falar sobre bullying, violência digital e proteção infantil diretamente com as crianças não é apenas uma escolha pedagógica. Para mim, é um compromisso ético. Quando uma criança sente que pode confiar no adulto, ela denuncia, pede ajuda, acolhe o colega e se recusa a participar de situações de agressão”, ressaltou.

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